A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO E A FALSA IDEIA DE AUTONOMIA NO DOCUMENTÁRIO “ESTOU ME GUARDANDO PARA QUANDO O CARNAVAL CHEGAR”
Palavras-chave:
Trabalho informal;, Neoliberalismo;, Precarização;, Documentário;Resumo
Embora a política neoliberal, concebida como uma reestruturação do capitalismo, se apresente como uma proposta sedutora aos trabalhadores, especialmente ao prometer autonomia e liberdade, seus efeitos reais, não raro, traduzem-se na precarização das relações laborais. Diante disso, a presente pesquisa visa responder o seguinte problema: de que forma a precarização das condições de trabalho, retratada no documentário “Estou me guardando para quando o carnaval chegar”, evidencia a contradição entre a narrativa neoliberal que propaga a liberdade como valor fundamental para os trabalhadores e a realidade concreta de subordinação, precarização e vulnerabilidade que esses mesmos trabalhadores enfrentam? O artigo tem como objetivo geral analisar a precarização das condições de trabalho nas facções de Toritama. Os objetivos específicos, por sua vez, são examinar o fenômeno da informalidade como consequência direta de um contexto socioeconômico de vulnerabilidade e exclusão; investigar a contradição entre a narrativa neoliberal de autonomia e liberdade do trabalhador e a realidade de subordinação, precarização e vulnerabilidade no contexto em foco; compreender de que modo a subjetividade neoliberal contribui para a naturalização da precarização do trabalho. A metodologia utilizada é qualitativa e exploratória, fundamentando-se na análise de conteúdo do referido documentário. Conforme as pesquisas realizadas, verifica-se que a precarização das condições de trabalho nas facções de Toritama revela-se como imposição de um sistema que mascara a ausência de garantias e direitos sob o discurso da liberdade individual, fazendo com que muitos desses trabalhadores ainda se percebam como autônomos e donos do próprio tempo.
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