O PROLETARIADO NA ERA DIGITAL: O CAPITALISMO DE VIGILÂNCIA E A EXAUSTÃO DA CLASSE TRABALHADORA NA INDÚSTRIA FLEXÍVEL NEOLIBERAL

Autores

  • Luana Brêda Mascarenhas Souza
  • Adriana Brasil Vieira Wyzykowski

Palavras-chave:

Indústria 4.0;, Capitalismo de vigilância;, Precarização;, Trabalho digno;

Resumo

É inegável a corrida produtiva que os trabalhadores estão submetidos nos últimos 40 anos, consequência da produção acelerada que a Indústria 4.0 exige. A revolução tecnológica tornou possível a expansão relevante das tecnologias digitais, fazendo surgir novos dilemas para a classe trabalhadora, em razão de um mercado cada vez mais flexível. Nessa perspectiva, o presente artigo discute a formação do novo proletariado na era digital e como a classe trabalhadora suporta a precarização e degradação do trabalho típica dessa flexibilidade, que é aparentemente mais “participativa”, com traços de reificação ainda mais interiorizados, com seus mecanismos de “envolvimentos” e “metas”. Analisa esses fenômenos numa transição entre a sociedade da disciplina -Foucault, do controle -Deleuze e, hoje, do desempenho. Por fim, consideramos que há a construção de um projeto político mundial de flexibilização dos direitos trabalhistas, afastando a efetivação do direito ao trabalho digno, que afeta não somente materialmente, mas a possibilidade de se reconhecer como classe e construir laços coletivos de resistência. O trabalhador na indústria 4.0 é isolado, individualizado e solitário.

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Publicado

2025-12-30

Como Citar

Luana Brêda Mascarenhas Souza, & Adriana Brasil Vieira Wyzykowski. (2025). O PROLETARIADO NA ERA DIGITAL: O CAPITALISMO DE VIGILÂNCIA E A EXAUSTÃO DA CLASSE TRABALHADORA NA INDÚSTRIA FLEXÍVEL NEOLIBERAL. Revista De Direito Do Trabalho, Processo Do Trabalho E Direito Da Seguridade Social, 14(2), 01–19. Recuperado de https://revista.laborjuris.com.br/laborjuris/article/view/305